segunda-feira, 19 de abril de 2010

Raiva

Tenho raiva quando acordo de manhã indisposta para tudo e todos, tenho imensa raiva quando eu ligo pra alguém e esse certo alguém não atende a merda do celular, tenho raiva quando tenho que fazer milhares de afazeres domésticos, definitivamente eu não nasci pra ser dona do lar. Tenho raiva quando falo, falo, falo e me respondem com um 'ok' , 'aham' ou 'isso aí!'. Tenho ojeriza ao toque estridente do telefone, de gritos estéricos desnecessários, de broncas demoradas, de lições de moral sem nexo, de pessoas efusivas.

Odeio meio mundo e meio milhão de coisas, mas amo muita gente e muitas coisas, o que seria de mim se não uma bipolaridade ambulante?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lembro

Ali, sentada dentro do ônibus eu sempre sou eu mesma e penso no que os outros pensam sobre quem eu penso ser. É um lugar tão comum para tantas pessoas e em diferentes turnos do dia. Acho engraçado e analiso cada um em seu singular modo de existir.

Já me lembro de como era quando eu esquecia o horário que eu tinha que pegar o ônibus e sempre chegava antrasada pra escola mas isso, era antes de ficar uma coisa rotineira e normal para mim, para todos os outros, para cobrador, motorista e tudo mais.

Lá dentro eu vejo como viver em sociedade é uma coisa tão foda nos dias de hoje. Não se pode ser quem realmente é dentro deste lugar. A sua música muito alta. Aquele rock que você diz pra todo mundo que ouve. O seu pé muito fora do lugar onde deveria estar. Muito folgada. Folgada demais. Adolescente idiota.

É tudo muito rápido, muito passageiro, muitos deles, amontoados de passageiros que pensam diferente entre si mesmos. E é lá que tudo começa, lá que tudo termina. Cheguei, vou descer no ponto. Tchau, até amanhã de manhã.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Próximo Passo? Amor

E tudo que eu mais queria resolveu acontecer, ontem! Foram dois segundos que me fizeram ter total certeza de que o que eu quero está mais perto do que nunca. Talvez seja até esse cara mesmo que eu estou atrás.

Ontem foi dia de cinema, lá vamos nós então ao cinema, sorrir, gritar, comprar guloseimas, chamar as amigas e falar que aquela menina ali do lado está parecendo uma drag queen atropelada. Fomos ver um filme de terror, o que eu mais gosto de todos os gêneros, mas é claro, a gente riu o filme inteiro! Porque não existia terror coisa nenhuma.

As outras pessoas olhavam pra gente e se perguntavam 'Que porra é essa?' Sim, sim, são os chatos adolescentes que estão a flor da pele, loucos pra sair por aí dizendo que são independentes e que não precisam dos pais, professores e adultos em geral.

Na volta pra casa eu estava tão cansada e tão louca que sai correndo quando entrei dentro do ônibus pra achar um assento e consegui! Mas eu não gosto de ser mal educada, então, olhei pra todos os passageiros que estavam em pé pra ver se não achava nenhum idoso, nenhuma grávida, nem nada parecido, enfim, não tinha ninguém com essas características, apenas adultos com cara de cansaço e loucos para chegar em casa.

Na minha frente, um menino, alto, blusa azul, shorts e tênis, nada que me chamava atenção, apenas bonito, fim. E lá ia o ônibus, se mexendo de um lado pro outro em uma imensidão de ruas e ruas. De repente, sem mais nada pra pensar, eu olhei pra frente, na hora que olhei vi que o menino me olhava, sabe quando você sente que este olhar já estava por ali há muito tempo? Então! Foi assim mesmo mas ele virou a cara quando eu vi que ele me olhava, foi engraçado, me fez rir por um instante, no outro minuto, me levantei e desci. Sim, esse pequeno acontecimento me faz compreender que as coisas simples ainda me agradam, ainda me deixam feliz. E é assim que tem que ser, feliz!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Meio

Eu vivo correndo de um lado pro outro, pegando o ônibuos atrasado e quase tropeçando nos degraus, quase deixando o dinheiro todo cair no chão, quase chegando na hora certa. Às vezes, penso que o quase é que me deixa de fora das coisas que mais quero.

Porque existem realmente muitos quase's na minha vida. O quase amor verdadeiro, o namoro que quase deu certo, a amiga quase perfeita, o look quase bonito, enfim, são muitos meio termos. Esses dias estava me lembrando de uma propaganda que dizia algo mais ou menos sobre isso, vou tentar dizer o que era.

- 'Despertador toca.'

- 'Alguém o desliga e volta a dormir.'
- 'Uma voz que narra a propaganda diz: "Viu? Você poderia ter encontrado o seu homem perfeito se nessa manhã tivesse acordado mais cedo. Poderia ter encontrado o cara certa se naquele dia que seus amigos te chamaram para praia você não tivesse dito não. Poderia achá-lo se fosse comprar o pão à tarde e não à noite."'

Achei muito interessante isso porque eu sou essa pessoa que passa bem perto de achar ou de fazer o que realmente quer. Talvez seja por essa coisa meio atrasada, meio com pressa demais e meio sem atenção que eu ainda não achei o que procuro.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dormir azul, acordar amarelo

Ontem a noite eu fui dormir pensando, pensando meio sem compasso, meio sem ritmo, meio diferente dos outros dias. Pensar, às vezes, trás más consequências que só são ruins naquela hora, assim como as decisões tomadas no calor do momento. Sempre fui de pensar muito antes de falar, de agir. Pelo menos eu pensava que sim.

Vamos pegar como exemplo um jogo de xadrez, nunca se sabe qual jogada vai ser a próxima ou o que seu adversário está pensando, assim é essa coisa louca e maluca, completamente pirada mesmo, chamada de vida, vida cruel, vida amarga, vida vivida. Sim, por mais que machuque, que chore, que sangre, você viveu. E como é bom dizer que não se arrepende, não é?

Em determinado caminho da vida, a gente para um pouco e começa a achar tudo feio, meio bobo, tudo completamente cinza. É aí que começam as dúvidas que ficam nos rodeando dias e dias na cabeça, querendo saber se tá bom ou se está ruim, mas por que a gente nunca se contenta com o meio termo? Óh espécie ruim, essa do ser humano!

Ontem eu fui dormir triste e acordei feliz, sabe quando achamos que estamos exagerando e que a única coisa que fizemos no dia anterior foi uma bela e louca tempestade em copo d'água? Exato! Foi o que eu fiz, mas isso tudo se deve a essa minha vontade louca de viver desesperadamente cada segundo e em todas as emoções. Agora para falar sério, eu peço desculpas por te falado demais, gritado demais e ter sido dramática. De verdade, você não faz falta.